18 de Jan de 2010

Como é que isto se faz?!


A minha vida não me chega. É um facto. De ‘maneiras’ que, por não ter sarna suficiente para me coçar, decidi dar um passo em frente (e não, ainda não estou à beira do precipício – como diria o outro). Para começar bem o ano, decidi… voltar à faculdade.

Estudar.

Acabar o diabo do curso que está pendurado por 2 cadeiras e mais uns trocos (abençoado Processo de Bolonha que me safou de uma imensa tese interessantíííííssimaaaaaaa) há já… uns anos valentes, vá! Mais do que devia – admito.

Resumindo e concluindo: o curso está por acabar e eu estou decidida a pôr um ponto final nesta palhaçada. O mais breve possível.

Colei o recibo das propinas na porta do frigorífico para olhar para ele toooooodos os dias (e às vezes a meio da noite), fui bater às portas dos gabinetes dos professores (oh Laura!! Ainda cá anda?! Não me diga que vem acabar o curso?! É desta?!) com aquele ar desorientado de quem esteve isolada numa estação espacial durante anos e só agora é que voltou à terra – para os mais impressionáveis, com um ar terceiro-mundista de quem só agora se está a recompor de uma série de azares (se o professor soubesse a minha vida nestes últimos anos, agarrava-se a mim a chorar!! Mas nem quero falar nisso…. O que lá vai, lá vai!) a pedir esclarecimentos de como recomeçar a estudar ou o livro de instruções de como andar naquela faculdade.

Cheguei à infeliz conclusão (é bem feito, para mim!), que tenho MESMO de ir às aulas. Isto de ‘estudar em casa e ir lá na altura dos exames’ – não pega! Preciso arranjar forma de sair a correr do trabalho, ouvir o professor falar durante 2h, rabiscar umas folhas e voltar a voar para o trabalho. Pacífico.

Porque o pior de tudo, o que realmente me está a deixar incomodada e deprimida… são os meus novos colegas. É que eles são realmente NOVOS. (esta gente entra na universidade depois do ciclo?!?! A julgar pela inteligência e maturidade de alguns, só pode….)

Portanto - e basicamente o meu drama resume-se a isto: como raio me vou chegar perto desta malta para lhe cravar apontamentos?! Chantagem e violência física (a la velhos tempos no liceu), bebedeira patrocinada ou arranjo mais uns piercings para dar uma de 'cota fixe'?!

Hum?

Ode à segunda-feira

Mãe é mãe!

E o respeito é, de facto, uma coisa bonita.

29 de Dez de 2009

Pão com manteiga

É verdade. Confirma-se: o pão quando cai ao chão, é sempre com a manteiga virada para baixo. É o que tipicamente acontece aos ‘pobrezinhos’ (com todo o respeito a quem não tem mais o que comer).

Foi o que me aconteceu ao longo deste ano.

O raio do pão com manteiga estatelou-se tanta vez no mosaico que já lá tenho as marcas. (no sentido literal da coisa, também.) E só quem as tem, é que sabe o quanto custa tirar nódoas.

A verdade é que 2009 não me trouxe nenhuma fornada de pãezinhos quentes estaladiços ou fiambre e queijo para meter entre fatias. Trouxe-me, quanto muito, margarina (às vezes, rançosa) em pão de forma já fora de validade. E mesmo esse, caiu virado para baixo e foi duro de roer. O ‘diabo’ deu uma de padeiro e eu andei mesmo a comer o que ele amassou.

De ‘maneiras’, que vou começar o novo ano em regime. Acabaram-se as torradas, a manteiguinha, o doce e tudo o mais que seja propenso a atrair porcaria. Se algo tiver que experimentar o soalho, que o ‘conduto’ dê para soprar, sacudir, dizer “ninguém viu” ou “o que não mata, engorda. É bom para criar defesas” e seguir em frente.

Vou dedicar-me às bolachas e às tostas (integrais, pois claro). E na eventualidade destas irem ao tapete, cá estarei para as apanhar. Ou não. Mas uma coisa é certa: não será pão com manteiga.
E longe de querer entrar no negócio da panificação… 2010 vai ser um ano do caraças.

(em todo o caso, vou também começar a limpar o chão da cozinha com mais afinco. Só naquela.)

29 de Jul de 2009

Politiquices

A Democracia é o pior de todos os sistemas
Com excepçäo de todos os outros

Há muitos países que julgam
Que têm democracia, inclusivé
às vezes, o nosso
Mas encha-se de justiça o fosso
E erga-se a liberdade ao meio
Que só de intençöes
Está o inferno cheio

Näo há justiça sem liberdade
E o vice-versa é também verdade
E essa é a luta, no fundo
Pelos direitos humanos no mundo

(Sérgio Godinho, A Democracia)


Teorias e inspiração… são coisas que não me faltam. O próximo desafio será mesmo metê-las em prática.
(A minha vida não me chega - e não!)

Cheira-me que em breve, vão ouvir falar de mim. Provavelmente, mal.
(mas eu andava a pedi-las, não andava?!)

28 de Jul de 2009

Eu gosto é do Verão…!


Por acaso, nem gosto. Assim muito. Gosto só mais ou menos, vá.
O problema é que eu tenho vários problemas com o Verão. Mais do que tenho com o Inverno.

Problema nº1: incho com o calor. Palavra de honra que incho mesmo. Fico insuflável – a sério. Além disso, o meu cérebro fica igualmente afectado por temperaturas acima dos 30º. E, como diria o Poirot, ‘puxar pelas celulazinhas cinzentas’ no Verão, chega a causar sofrimento.

Problema nº2: não uso a chamada ‘roupa fresca’. Saias, vestidos e/ou shorts. E muito menos ando com os dedões dos pés ao léu, enfiados na sandaloca de tiras ou na havaiana. Isso é que não!! Quanto muito, a sabrina. E quanto muito, o top sem alças. Calça da ganga – sempre. Mas efectivamente há dias em que dá vontade de arrancar a pele. E a crença (não é mania ou preconceito: é um facto comprovado) de que tenho pernas feias, pés horrorosos e a tranca larga, não abona nada a meu favor nestas alturas.

Problema nº3: não gosto de praia. Aborrece-me estar horas a olhar para o mar (é só água a fazer catchum, valha-me Deus! E normalmente é gelada.) e a rebolar na areia. Ok, se me perguntarem – vais à praia? Vou. Mas não gostas? Não. Mas vais? Sim. Mas passavas bem sem lá ir? Absolutamente. Vou só apanhar os raios ultra violeta e o iodo essenciais para não andar transparente o resto do ano, ‘apagar’ aquelas marcas de borbulhas nas costas e pôr a leitura (toda a leitura acumulada ao longo de meses) em dia.

Problema nº4: a depilação. Constante. (Sim, porque o sol ‘ajuda’o pêlo a crescer… ppffffff!) O sofrimento que aquilo causa e o balúrdio que a esteticista nos leva. Já para não falar o quão difícil é arranjar meia horinha “só para tirar a maior… vá lá, Clarinha, arranja-me aí um espacinho no meio das tuas 4587 clientes!” E mais não vale a pena dizer.

Problema nº5: as amigas giras e magras. Adoro-as de paixão, mas é impossível sair (muito menos para a praia) com moças dignas de ‘capa de revista’, muito bronzeadas e esbeltas e consequentemente, descascadas. Por muito arranjadas e bonitas e bem sucedidas numa dieta que saíamos de casa, há sempre uma amiga que aparece 3 vezes melhor que nós!!! E nós passamos a ser a ‘miúda simpática, engraçada e divertida’ do grupo. Porque as outras são claramente ‘podres de boas’!!! (e é que são mesmo! Baaaaahhhhh!!!)

… e por falar em dieta bem sucedida….

Problema nº6: a linha. A gordura acumulada. O pneuzito. O Bibedum da Michelin. A celulite. A flacidez. As saladas e as sopas (e a fome que se passa). Os litros de água (e as idas constantes à casa-de-banho). As corridas ao ginásio. Os passeios… perdão, as romarias pelo bairro, de famílias inteiras, no final de jantar (e uma pessoa demasiado cansada para se arrastar do sofá para cama – quanto mais fazer kms para ‘resmoer’ o peixinho cozido da ceia). Os tamanhos M das t-shirts que devem ter as etiquetas trocadas (são na verdade um XS) bem como as calças 38 ou 40 (que na verdade equivalem a um 32. Vai lá perder peso para caberes na roupa, anda…) Os anúncios constantes dos comprimidos, cremes, iogurtes e águas que fazem milagres, plásticas e uma ou outra lipoaspiração. And so on, so on, so on….!


Mas o maior de todos os problemas, aquele me está a lixar com F grande…é que Verão à séria, este ano - viste-o!! Ainda não tive uma oportunidadezinha de me sentir mal com todos os meus ‘problemas’. E das poucas vezes que pisei a praia, sai de lá a correr debaixo de uma chuvada.

O que me está a inquietar verdadeiramente, é que não tarda a entrar de férias e eu quero (mas quero mesmo) apanhar um escaldão, rapar as pernas e encher o frigorífico de alfaces, nas próximas semanas.

8 de Jul de 2009

Miss me?


Dizia eu, logo no meu primeiro post, que a criação deste blog iria servir para colmatar essa grande falha na minha vida que era… não ter vida. Basicamente. Ou melhor, não ter a chamada ‘sarna para me coçar.’ Nem coisa nenhuma que desse vontade de rir. Ou chorar. Ou provocar qualquer emoção. (a não ser, lá está, as tais idas quase diárias ao Multibanco que ainda hoje – engraçado como há coisas que nunca mudam!- me provocam convulsões e espasmos cada vez que vejo o saldo.)
Concluí então que a vida dos outros era bem mais interessante e já que a minha não me chegava e não, mais valia enfiar o nariz em vidas alheias.

Isto foi no final do ano passado. E eu estava longe de imaginar que não só o Michael Jackson ia desta para melhor, que era possível valer 92 milhões sem saber ler nem escrever – apenas chutar uma bola, como principalmente a minha existência ia sofrer uma reviravolta daquelas, digna de fazer chorar as pedras da calçada. Ou para quem prefere algo mais prático - digna de apanhar um pifo até à inconsciência e esperar, ao acordar, que toda a miséria fosse afinal uma parte da ‘maldita ressaca’.
Mas como dizia alguém, num filme qualquer: o raio da sorte anda a gozar comigo.

Da última vez que aqui passei, sangrava por todas as cavidades e estava surda que nem uma porta. Felizmente, estou sã e salva e com uma saúde de ferro (acho eu! É melhor não gabar para não agoirar). Curei-me de praticamente todas as mazelas e até voltei a ouvir bem. Ou quase bem.

Porque se tivesse uma audição apuradíssima, provavelmente teria ouvido os tipos que me assaltaram e destruíram o carro, o meu rico carro que tanto me custa a pagar, mesmo por baixo da janela do meu quarto (apesar de morar num 4ºandar, tenho paredes de papel. Ia jurar que ouvi no outro dia, o vizinho do rés-do-chão a abrir minis e a descascar amendoins). E como se o rádio (com o CD dos bons e original do Jack Johnson, lá dentro), não bastasse…vai de levar também a centralina e a bomba de combustível e ainda de partir uns vidros, cortar uns tubos e remexer no painel eléctrico. Para a doideira, vá. Só para chatear. Sim, porque segundo me consta, é preciso ter talento e habilidade para saber roubar sem estragar! Principalmente, peças de automóveis. Serve-me de consolo saber que não irão muito longe com uma bomba de combustível mal roubada. Ah ah!

Resumindo e concluindo, esta foi apenas a última que me aconteceu. (e que me rendeu uma bela de uma factura!) A penúltima e a anterior, nem vale a pena referir. Certo é que o ano vai a meio e eu não vejo a hora dele acabar, para o enterrar e esquecer.

Os outros dizem-me que depois de uma fase má, vem uma muito boa. E que tudo me irá correr pelo melhor. Mas a acreditar neste princípio e a julgar pelo que já me aconteceu, eu já merecia um cheque mensal igual ao do Cristiano Ronaldo. Pelo menos, durante 7 meses. No mínimo. (como que o dinheiro não traz felicidade?!?!)

Mas enquanto a ‘sorte grande e a terminação’ não me batem à porta, o melhor mesmo é escrever para expurgar. Partilhar para poder rir. Recomeçar para seguir em frente.

Os meus sinceros agradecimentos a todos aqueles que nesta imensa viagem de montanha-russa foram os meus fiéis e leais companheiros de aventura: os meus amigos. Os de sempre, os recentes e os que se tornaram. Os que, à sua maneira, longe ou perto, estiveram, estão e estarão para me acudir nas aflições. Passar a mão na cabeça ou puxar-me as orelhas. Os que tiveram paciência para me ouvir e aturar e até os que me perdoaram por os ter ‘esquecido’. Os que recuperei por força das circunstâncias e os que se mantém na ‘sombra’, alguns sem saber de nada, mas que são imprescindíveis e inesquecíveis.

À minha irmã, a quem nunca terei palavras suficientes para lhe dizer o quanto a admiro e amo e que a sua presença diária tem sido um bálsamo e uma cura.

À minha família, que também à sua maneira muito própria, me tem segurado e mantido ‘sóbria’ e acordada.

Após ter passado uma das fases mais complicadas da minha vida (ai ter 28 anos é isto?! Bah!), resta-me agradecer aos que me traíram, desiludiram, abandonaram e magoaram. Porque foi graças a elas- às piores pessoas do mundo – que (re)aprendi a reconhecer as melhores.

E é por elas que estou de volta.

14 de Mar de 2009

O fim


Um mês. Exactamente um mês depois, no dia do aniversário do astrónomo italiano Giovanni Virginio Schiaparelli (as cenas que se descobrem no Google, oh pá!) e o balanço é… no mínimo, vá… miserável. O prognóstico é desconhecido. O diagnóstico, incerto.

É dia 14 de Março e eu podia estar animadíssima e a gozar este dia absolutamente fantástico. Podia estar a derreter ao sol. Podia ter ido fazer uma daquelas caminhadas à beira-rio ligada ao mp3 ou ir tomar o pequeno almoço à baixa com um livro/jornal debaixo do braço armada em intelectual. Podia eventualmente, ter-me feito à estrada e ir visitar os meus sobrinhos.

Em vez disso, estou em casa porque estou surda. Entupida, mais uma vez, em antibióticos. Proibida pelo médico de apanhar sol ou correntes de ar. A sangrar por todas as cavidades do meu corpo, excepto pelos olhos.

À pergunta 'o que raio me falta acontecer mais?', a resposta é 'uma otite.' Mas não é uma otite qualquer – não. Nada disso. É uma otite que me levou, outra vez, de urgência ao hospital (já começo a ser conhecida no meio) e que me fez sangrar dos ouvidos. E posteriormente do nariz e da boca. As dores começaram terça-feira de manhã. À hora do almoço encharquei-me em analgésicos. A meio da tarde, toca de embrulhar mais uns comprimidos e de pôr umas gotas. Ao início da noite, foi quando dei em chorar desesperadamente com dores e em pânico por ver que havia sangue a escorrer-me pela cara, vindo dos meus ouvidos. Cena à filme, portanto.

Feliz ou infelizmente, quem entra no hospital ensanguentado e aos gritos é logo atendido. A otorrino explicou-me que devido à constipaçãozeca que tinha apanhado, o ranho acumulou-se nos ouvidos (que imagem bonita, hein?!). Provocou-me uma otite. Otite essa que me perfurou o tímpano esquerdo. [enquanto isto, o meu Sporting estava a levar 7 na pá… Uh-uh!!!] De maneiras que estou realmente surda. Pelo menos (e espero que sim), temporariamente. E a tomar uma nova dose de químicos. Claro.

Além disso, estou falida à conta das despesas de farmácia. Estou cansada de tanto hospital e médico. Estou sem defesas e com o meu sistema imunitário à beira do colapso. Estou exausta por passar noites em branco, sem dormir e tantas vezes com dores e nunca ter deixado de trabalhar. Estou em dívida para com os meus amigos e familiares que têm apanhado secas descomunais em urgências hospitalares, se têm preocupado e me têm acompanhado a toda a hora e instante.

Estou fartinha de tanto azar em tão pouco tempo.

Acho que estou realmente doente. E estou a preparar-me psicologicamente para enfrentar uma série de exames e análises para acabar de vez com este ‘circo mariano’.

Mas acima de tudo, estou viva. E se a minha vida não me chegava, agora sobra-me. Tenho material para dar e vender.

Ah! E finalmente, parou de chover.