julho 27, 2010
Esperteza saloia
Porque se há coisa que me dá cabo dos nervos é o “chico espertismo” e a “esperteza saloia” dos meus vizinhos começa a tirar-me do sério.
A saber: os parqueamentos dentro de prédio não são para ocupar só porque sim. Só porque apetece.
As pessoas pagam-nos para poderem estacionar o seu automóvel. Boa?!
E se há dezenas deles no prédio fechados a correntes e cadeados, o que está temporariamente aberto não é um convite – repito: NÃO É UM CONVITE a “podem açambarcar-se deste lugar que está vago e à vossa espera! Fiquem o tempo que quiserem que isto é do povo!!!”
Pela segunda vez, deixo o aviso (desta vez ao dono do Opel Corsa): se querem, pagam! 50/50 e até podemos combinar um sistema de rotatividade para agradar a ‘gregos e troianos’.
Se não quiserem pagar o dito lugar, começam a pagar-me o seguro do carro para que eu o possa deixar na rua e acordar com ele assente em 4 tijolos e sem o rádio, peças de motor e afins. Como preferirem.
De borla e pelas costas, é que não.
Deus me dê paciência. Porque se me dá forças, isto vai dar em pancada.
Pela primeira vez….
Percebi finalmente o que a morte nos pode tirar. E que ela, sim é definitiva. E para sempre, é muito tempo.
Mas o ‘para sempre’ ainda vai ter de esperar.
Percebi também, mãe, que a tua força é infinita e que tu consegues tudo. E tens muito ainda pelo que viver. Que nada nem ninguém te derruba assim tão facilmente.
Obrigada por continuares a existir.
“Deus não podia estar em todo o lado ao mesmo tempo, e por isso criou as mães.” (George Washington)
julho 16, 2010
Faz sentido...
— MENstruation,
— MENopause,
— MENtal breakdown,
— GUYnecology,
— HIMmorrhoids..."
Faz sentido.
julho 15, 2010
Corte e costura
Por força das circunstâncias – e porque encasquetei com um vestido e não descanso enquanto não arranjar um minimamente parecido – ando por estes dias a descobrir o maravilhoso mundo do ‘corte e costura’.Confrontada com a impossibilidade de arranjarem o tal vestido num tamanho humanamente possível (para gente com mais de 65kgs) e recomendada por quem percebe da coisa [obrigada, miúda!], lá fui ter com uma profissional da ‘agulha e do dedal’. Até aqui, tudo a correr bem.
O pior foi quando a costureira me enviou numa (vim eu a saber depois) perigosa missão: ir à loja dos tecidos e à retrosaria. Demorei 5 minutos a encontrar o tecido que queria, a cor que procurava e a pagar a mercadoria.
A retrosaria é que deu cabo de mim. E tive medo. Muito.
Nunca estive num campo de batalha, mas desconfio que qualquer trincheira é bem mais calma que um grupo de mulheres a comprar botões. Estava aliás, longe de imaginar que 50cm de elástico (do mai fininho) e dois colchetes degenerassem em violência verbal, quase física (queres ir lá para fora, queres?! Hum?! Vê lá se queres que te cosa a boca, ó sua….mal educada…...!). [quem fala assim, tem claramente educação e respeito pelos outros, para dar e vender!]
O meu pânico não foi, nem de longe nem de perto menor, quando uma tal Alzira Melo furou uma fila de 10 pessoas e se encostou ao balcão a rosnar entre dentes “arrialmente, quem paga adiantado é mal servido! Tssssss….. Só cá vim levantar uma alça de uma carteira que comprei ontem e que já está pronta de certeza absoluta e que já está paga, que eu comprei-a ontem. Está em nome de Alzira Melo. Mas isto arrialmente quem paga adiantado é mal servido….. É uma bergonha! Ai que vida!”. Foi obviamente ignorada - o que não a demoveu de falar sozinha até chegar à vez dela (gentilmente cedida por mim, que me afastei o mais que pude da Alzira porque estava a ver que sobrava para os meus lados e ainda acabava estrafegada com a tal “alça da carteira que já está pronta e paga desde ontem!”)
Admiro a paciência e sobretudo a coragem das empregadas daquele balcão. Têm todo o meu respeito. Quase beijei e abracei a senhora que me atendeu. Não lhes gabo nem um bocadinho a sorte de vender carrinhos de linha e fechos éclaires (dos de 18cm, ‘tá claro! São os melhores, segundo aprendi hoje) à hora de almoço – hora de ponta numa retrosaria – e terem ainda a bravura e a audácia de anunciarem àquele público inquieto: “há que ter calma e aguardar pela vez, segundo a ordem de chegada. Com calma, paciência e educação tudo se faz! Um bocadinho mais de compreensão que somos poucas deste lado!”
(isto enquanto empurram delicadamente para fora do balcão uma ou outra freguesa mais impaciente que só quer um "feichinho para o biquini. É coisa pouca. Eu procuro, deixe estar!" Vi eu. Pois que vi.)
As empregadas daquele estabelecimento deviam estar armadas até aos dentes e ter aulas de defesa pessoal. E protegidas com guarda-costas e seguranças. E um valente seguro de vida/saúde.
Aquilo é a guerra. E mete realmente medo.
julho 14, 2010
Há dias assim….
(Jean-Paul Sartre)
Há dias em que apetece bater com a porta, mandar o patrão à fava e correr os colegas à bofetada. Dias em que se perde o apetite e se dorme com o trabalho. Dias em que a sanidade mental está por um fio e os nervos em frangalhos. Dias em que nos sentimos esgotadas, aturdidas, incompreendidas, mal pagas.
E depois há dias assim.
Dias bestiais que mudam em apenas 5 minutos. E todo o esforço, sacrifício e loucura são absolutamente compensados.
Assim vale a pena.
julho 13, 2010
I can't get no sleep...
(Faithless, Insomnia)

19h, chegada a casa.
20h15, jantar e telejornal.
22h10, primeira babadela no sofá depois de ter passado pelas brasas uma boa meia-horinha.
22h30, início de uma série na Fox.
00h55, sprint para a cama que ‘amanhã é dia de trabalho… ai meu Deus, ai meu Deus que é tão tarde’.
01h. 01h15. 01h20, ‘mas que raio….?! Porque não consigo dormir?! Não tarda, toca o despertador.’
01h22, ‘vai… fecha os olhos e sossega, Laura Vanessa. Shhhhhh!’
01h24, ‘la la la la…. la la la la…. Magniiiiiiificient!!!!! La la…. Mas eu estarei boa da cabeça?! A evocar U2 a uma hora destas????? Cala-te e dorme!’ (reboladela na cama)
01h27, a vizinha de cima toma um banhinho antes de ir para a cama. E anda pela casa de saltos altos. ‘Mas que m***?! Não há chinelos nessa casa??? Pareces um cavalo, mulher estúpida!!!!!’
01h41, cenas e pessoas e filmes e coisas que passam pela cabeça. ‘Laura, Laurinha não sejas parva! Orienta-te na vida.’ (viragem para o outro lado) 'Hum... hum... hum.... amanhã, volto a fazer dieta! Estou gorda!' (mais uma viragem) 'Devia comprar tinta para o cabelo.... esta já está a sair!'.....
01h45, 3 minutos dormidos e já a sonhar com coisas parvas e com as pessoas em geral (uma ou outra em particular)…. Nervos.
01h46, chichizinho da vizinha. ‘Vai dormir, tu também, ó……. criatura!’
01h52, calor. Tirar a t-shirt e o lençol. E vai de fazer contas à vida: ‘ora bem, a prestação do cartão de crédito.... ainda preciso de ir às compras..… mais o casamento no final do mês…….. 3× 9=27 e vão 5… hum hum hum….. porra, estou na miséria! Agora é que não durmo mesmo!..... Mas espera lá, o Y ainda me deve dinheiro…. Amanhã ligo-lhe!’
02h, frio. Puxar o lençol. (a vizinha ainda anda acordada. Raios partam a vizinhança que não ajuda em nada!!!)
02h02, nada. Esperta e despertíssima da silva. E… ups, cá estão eles e elas. Outra vez, as pessoas em geral e em particular a rondarem-me os pensamentos. ‘Ai a minha vida a andar para trás! Se ao menos dormisse…..’
02h07, ler. Ler na cama dá sono. E a cabeça sempre está ocupada.
02h37, o livro está a terminar e por isso, está cada vez mais emocionante e entusiasmante. ‘Não vou parar agora! É tarde, mas isto está cada vez melhor…..’
03h26, livro – 1. Sono – 0.
04h19, ‘snif snif….. que grande final! Lindo! Deviam fazer um filme disto…. Snif snif! Arrepiante!’
04h20, ‘calhando já dormias, não?!’
……
07h45, toca o despertador.
07h50, o despertador volta a tocar.
07h55, 'outra vez??? A m*** do despertador está aqui, está colado à parede.'
08h, última chamada do despertador. ‘WTF?!?!?! Jááááááá??????? C%*$%$# ME F&$%#$!!!!! P*#%? QUE PARIU!!!!! TENHO SONO!!!!!!!!! DEIXEM-ME DORMIR!!!’
julho 12, 2010
Olhem-me esse animal....!!
Eu tive, entretanto, um gato debaixo do carro. Literalmente. O bicho lá se encaixou algures no motor, miou penosa e desalmadamente e pregou-me um susto do catano – além de me ter obrigado a ajoelhar no meio da estrada e a encostar o nariz às jantes, enquanto gritava ‘biiiiiicho, bichiiiiiiinhooooooo… anda cá, bicho! Bchhhhh, bchhhhh, bchhhhhhh!’.
Agora que penso melhor… querem lá ver que ele estava a tentar dizer-me alguma coisa?!
Querem lá ver que ele sabia a chave do Euromilhões?!